Pelo menos 12 pessoas foram presas após darem comida a sem-abrigo

Na semana passada, pelo menos 12 pessoas foram detidas por dar comida a sem-abrigos no Wells Park, em El Cajon, na Califórnia.

Estas pessoas, membros de um gruo militante chamado Break The Ban, foram acusados de um crime, excetuando um jovem de 14 anos, a quem as acusações foram retiradas.

“Se tiver de ser preso por algo, como neste caso dar comida aos sem-abrigo, não sinto que deva pedir desculpa, pois não acho que esteja a fazer nada de mal”, conta Matthew Schneck.

Em outubro passado, o conselho municipal de El Cajon aprovou unanimemente um decreto de emergência que tornou proibido distribuir comida em qualquer área pública da cidade para evitar um surto de hepatite A.

Então, qualquer pessoa que alimente um sem-abrigo pode agora ser condenado a 6 meses de prisão e uma multa de 1000$.

Porém, os ativistas não acreditam que os motivos apresentados para a aprovação do novo decreto sejam reais, e interpretam-no como um ataque aos sem-abrigo.

“Significa que estão a tornar os sem-abrigo criminosos. Criaram 4 leis contra eles. Não pode acampar, não podem dormir nos carros, não podem pedir esmola e agora nem lhes podem dar comida”, explica Mark Lane.

“Eles dizem que todos os parques estão totalmente infetados com hepatite A, e que não querem que os sem-abrigo a apanhem, por isso tentam protege-los. Contudo, as pessoas continuam a fazer festas no parque e a partilhar a sua comida umas com as outras, apesar de estas pessoas não serem imunes à mesma hepatite A que podia infetas os sem-abrigo. Os que estiveram no evento ficaram muito gratos por estarmos a resistir à proibição. Eles ficaram muito insatisfeitos com o presidente e os membros do conselho por terem assinado um decreto tão cruel sem falar com eles”, diz Shane Parmely, membro do Break The Ban e organizador do evento.

Infelizmente, de acordo com o Departamento de Censos dos EUA, a taxa de pobreza californiana é das mais altas de todos os estados americanos, por causa dos custos da habitação.

“Temos uma alta percentagem de sem-abrigos que são veteranos, uma alta percentagem de pessoas sem-abrigo a trabalhar. Há uma crescente criminalização das pessoas pobres e impotentes”, reforça o criador do evento.

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