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O menino que se perdeu a 1400 km de casa e regressou 25 anos depois graças ao Google Maps

Esta é a história de Saroo, um grande empreendedor hoteleiro com 38 anos que já passou por muito na vida.

Com apenas 5 anos, Saroo perdeu-se quando estava com o irmão mais velho, que varria comboios indianos.

“Era de noite. Saímos do comboio e eu estava tão cansado que me sentei numa estação de comboio e acabei por adormecer. Achei que o meu irmão ia voltar e acordar-me, mas quando acordei ele não estava à vista. Então, vi um comboio à minha frente e pensei que devia estar nele e decidi procura-lo lá”, conta Saroo.

Infelizmente, Saroo não encontrou o irmão no comboio, acabou por adormecer novamente e acordou sobressaltado passadas 14 horas.

Ele não sabia, mas tinha acabado de chegar a Calcutá, a terceira maior cidade indiana, muito conhecida pelas favelas.

“Eu estava absolutamente assustado. Não sabia onde estava. Comecei a procurar pessoas e fazer perguntas. Fui a um lugar muito assustador. Acho que nenhuma mãe ou pai ia querer que o seu filho de 5 anos andasse a vaguear sozinho pelas favelas e estações de comboio de Calcutá”, continuou.

Com o tempo, Saroo aprendeu a defender-se e tornou-se sem-abrigo, tal como muitas outras crianças que viviam nas ruas de Calcutá.

“Eu tinha de ter muito cuidado. Não podia confiar em ninguém. Um homem prometeu-me comida, abrigo e o meu regresso a casa, mas em última análise achei que ia fazer algo mau, então fugi”, lembra Saroo.

Entretanto, foi colocado num orfanato e acabou por ser adotado por um casal da Tasmânia, os Bierleys.

“Aceitei que estava perdido e não conseguia encontrar o meu caminho de volta para casa, então achei ótimo ir para a Austrália”, conta Saroo, que foi muito bem acolhido.

Apesar disso, quanto mais tempo passava, mais queria encontrar a família biológica, mas como era apenas uma criança analfabeta de 5 anos quando se perdeu, nem sabia o nome da sua cidade natal.

Então, começou a utilizar o Google Earth e as suas memórias para tentar descobrir a cidade. “Eu multipliquei o tempo que estive no comboio, aproximadamente 14 horas, pela velocidade dos comboios indianos e cheguei a uma distância aproximada de 1.200km”, explicou Saroo, que depois desenhou um círculo num mapa, tendo Calcutá como centro, com um raio da distância calculada.

“Quando encontrei o nome Khandwa, afastei-me e explodi. Tinha encontrado a minha terra natal. Vi imagens da cachoeira onde costumava brincar”, recorda Saroo.

Após a descoberta, Saroo foi até Khandwa e encontrou o caminho para a casa onde cresceu através da memória. Chegado ao bairro Ganesh Talai, aquilo que encontrou surpreendeu-o. “Quando cheguei à porta, vi um ferro. Parecia velha e partida, como se ninguém vivesse lá há muito tempo. Então, um vizinho disse-me que a família que lá morava se tinha mudado, e apareceu uma segunda e terceira pessoa, que disse para eu esperar ali. Depois, voltou e disse que me ia levar à minha mãe. Fiquei entorpecido”, conta.

“A última vez que a vi, ela tinha 34 anos e era uma bela senhora. A idade derrotou-a, mas a estrutura facial ainda estava lá e eu reconheci-a. “Sim, tu és a minha mãe”, disse-lhe. Ela pegou na minha mão e levou-me para casa dela. Não conseguia dizer nada, acho que estava tão entorpecida quando eu. Ela teve alguns problemas em perceber que o filho, depois de 25 anos, tinha reaparecido como um fantasma”, explicou Saroo.

Apesar de a mãe de Saroo ter receado que o filho estivesse morto, uma cartomante disse-lhe que ela ainda o ia ver de novo. “Acho que a cartomante lhe deu um pouco de força para continuar a viver e esperar por esse dia”, disse Saroo.

Quanto ao irmão de Saroo, infelizmente as notícias não foram nada boas. “Um mês depois de eu desaparecer, eles encontraram o meu irmão na passagem de uma linha de ferro, e a minha mãe nunca chegou a saber se tinha havido maldade envolvida ou se o menino simplesmente tinha caído”, conta Saroo, visivelmente triste.

Saroo passou anos a sonhar com o reencontro da sua família biológica, e felizmente conseguiu realizar esse sonho. Atualmente, ainda mantém contacto com eles. “Isso tirou-me um grande peso. Durmo muito melhor agora”, admite.

Depois de conhecer a sua história, uma equipa de produtores quis adaptá-la e fez um filme chamado “Lion”, com Dev Patel no lugar de Saroo.

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