“Não fazia o 25 de Abril se soubesse como o país ia ficar”, afirma Otelo Saraiva de Carvalho!

Diariamente, Otelo Saraiva de Carvalho, capitão de Abril, ouve dizer que é preciso uma nova revolução no país.

Contudo, passados todos estes anos, assegura que se soubesse como Portugal ia ficar não teria feito o 25 de Abril.

Embora esteja ligado ao movimento e não negue a sua intervenção, Otelo revela alguma desilusão.

“Sou um otimista por natureza, mas é muito difícil encarar o futuro com otimismo. O nosso país não tem recursos naturais e a única riqueza que tem é o seu povo”, disse à Agência Lusa.

Otelo diz lamentar “as enormes diferenças de caráter salarial” existentes na sociedade portuguesa: “Não posso aceitar essas diferenças. A mim chocam-me. Os que se levantam às 5h para ir trabalhar na fábrica e na lavoura e chegam ao fim do mês com uma miséria de ordenado?”.

“As questões que considerava muito importantes no programa político do Movimento das Forças Armadas (MFA) não foram cumpridas, como a criação de um sistema que elevasse rapidamente o nível social, económico e cultural de todo um povo que viveu 48 anos debaixo de uma ditadura militar e fascista. Este povo merecia mais do que dois milhões de portugueses a viver em estado de pobreza”, acrescentou Otelo.

Assim, Otelo Saraiva de Carvalho diz que não faria a revolução se soubesse o que ia acontecer: “Não teria feito o 25 de Abril se pensasse que íamos cair na situação em que estamos atualmente. Pedia a demissão de oficial do exército, nunca mais punha os pés no quartel, pois não queria assumir esta responsabilidade. E se calhar, como muitos jovens têm feito atualmente, tinha ido para o estrangeiro”.

Segundo Otelo, 800 militares são suficientes para derrubar um Governo, mas uma nova revolução apenas deve acontecer com a perda de direitos dos militares.

O capitão de Abril reconhece que os militares não se têm mostrado muito indignados com a situação do país, ao contrário do resto das pessoas em geral: “os militares pertencem à classe burguesa, estão bem instalados, têm o seu vencimento, vão para fora e ganham ajudas de custo, são voluntários e os que estão reformados ainda não viram a reforma diminuída”.

Contudo, Otelo abre a possibilidade que isto mude “no dia em que os militares perderem os seus direitos – se isso acontecer, é possível que se criem as condições necessárias para um novo 25 de Abril”.

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