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Saiba como o Japão conseguiu controlar a Covid-19 sem necessidade de quarentena geral

O Japão foi um dos países mais afetados pelo novo coronavírus, pois foi infetado logo depois da China, é um dos maiores consumidores de tabaco a nível mundial e 28% da sua população tem mais de 65 anos – tudo isto deixou o país bastante vulnerável à pandemia.

Então, como é que a conseguiram superar sem precisar de recorrer à quarentena, como tantos países fizeram?

A verdade é que o governo japonês nunca decretou isolamento obrigatório, apenas cancelou alguns eventos desportivos e fechou as escolas.

Segundo o mapa do hospital Johns Hopkins, o Japão é um dos países com menos mortes e casos confirmados, e isso deve-se a algumas medidas de sucesso.

Uma delas foi o método controverso de isolar apenas os grupos de contágio, como explicou Kenji Shibuya, diretor do Instituto de Saúde da População do King’s College, em Londres.

“O Japão teve muito sucesso em conter a disseminação do COVID-19, visando grupos de contágio, ou seja, pessoas a infetar outras pessoas. Foram testadas e isoladas”, explicou.

A estratégia consistiu em rastrear pessoas infetadas, uma das coisas mais importantes na contenção do vírus.

O Japão agiu rapidamente porque tinha métodos e testes suficientes para tal, ao contrário de outros países.

“A única maneira de lidar com qualquer pandemia é testar e isolar. No entanto, muitos países não ouviram isso”, acrescentou Kenji.

Outra medida que ajudou foi a própria cultura de distanciamento social, que já praticavam antes da pandemia.

“Os japoneses são bastante conscientes da higiene, muito mais do que em outros lugares. Além disso, muitas pessoas já usavam máscaras nas ruas anteriormente, o que diminui a probabilidade de transmissão”, explicou Benjamin Cowling, professor de epidemiologia da Universidade de Hong Kong.

“A propensão japonesa para a higiene e outros hábitos coisas culturais como evitar abraços podem ter feito uma grande diferença em termos de disseminação do vírus. Porém, por exemplo no Reino Unido, as pessoas também começaram a distanciar-se, trabalhar em casa e usar máscara e os casos continuam a aumentar. Portanto, a verdade é que não sabemos até que ponto o distanciamento social está a ajudar no caso particular do Japão”, disse Kenji.

Ainda assim, existe um consenso que a decisão antecipada do governo de fechar as escolas e suspender grandes eventos e a disciplina e rigor característico da população no que toca às normas sociais foram determinantes no controlo do vírus.

Para além disso, não podemos esquecer o sistema de saúde japonês, que é dos mais avançados do mundo. Segundo dados do Banco Mundial, o Japão tem cerca de 13 camas hospitalares por 1.000 pessoas, mais que o triplo da taxa da Itália e muito superior aos países da América Latina. Por exemplo, no Chile existem 2,2 camas por cada 1.000 pessoas, no México e na Colômbia 1,5 e no Peru 1,6.

Então, o caso do Japão deve ser analisado cuidadosamente, uma vez que conseguiram deter o novo coronavírus sem recorrer a medidas extremas.

“Estamos todos a tentar encontrar lugares onde os números são mantidos baixos sem muita perturbação para a sociedade, porque não podemos continuar o bloqueio, mas ao mesmo tempo não podemos voltar à vida normal, como fazíamos há 6 meses. Precisamos de encontrar algo intermédio, e talvez a experiência japonesa seja mais sustentável”, disse Benjamin Cowling.

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